Fernando César Gomes Machado(sobrinho-bisneto),Maura Soares(sobrinha-neta), João Soares Ventura(filho) e Roberto Brunow Ventura(neto) de Álvaro Soares Ventura (o comunista), defronte ao restaurante Lindacap----sorriam por favor, o velho Ventura, onde quer que esteja, merece!

segunda-feira, 18 de junho de 2012
domingo, 17 de junho de 2012
O FILHO DO VENTURA
Maura e João Soares Ventura
O FILHO DO “VENTURA”
Tenho procurado, ao longo do meu
exercício como presidente de um grupo literário há mais de dez anos, cumprir o que disse Nelson Cavaquinho em sua
música: “Quem quiser fazer por mim, que
faça agora. Depois que eu me tornar saudade, não preciso de vaidade, quero
preces e nada mais”.
Pois bem, uma homenagem de um
Partido Político a um militante de outro Partido que quase nada tem a ver um
com o outro a não ser a oposição de esquerda, o mesmo símbolo usado, me cheira
a falácia, a embromação, a querer “se aparecer” – como diz o nosso Mané - numa
época eleitoral e eleitoreira neste ano de 2012.
O PCdoB homenageou com uma placa de
prata a Álvaro Soares Ventura, nas comemorações dos “90 anos do Partido”, em
março de 2012.
Explico. Pra mim o PCdoB não é o
PCB, aquele em que sempre soube que meu
tio-avô militava. Pra mim PCdoB como diz o seu histórico “reorganizou-se em 62”
e colocou um “do Brasil”, pra quê, se não era a mesma coisa? O Partido que
conheci era Partido Comunista Brasileiro e este é Partido Comunista do Brasil.
Por que não continuaram com a sigla antiga, seria mais coerente!
O Partido que ofertou a homenagem ao
meu tio-avô em março de 2012 se diz com 90 anos. Mais certo seria dizer o PCdoB
faz 40 anos e não 90. Usa o mesmo símbolo,
a foice e o martelo simbolizando o operário e o campo?! “E faz parte de
sustentação do governo Dilma!!!!” Campo, que campo, Cristo Santo, se não existe
mais isto, pois não vejo militância no campo a não ser eventualmente os integrantes
do Movimento dos Sem-Terra “orquestrados”, verdadeira massa de manobra, invadindo
propriedades e lá ficam sem nada produzir e os operários, aqueles defendidos
pelo Ventura, onde estão?
Pra fazer história continuaram a
contar a vida do PCdoB a partir da vida do PCB, é isto?
Pois bem, como não entendi nada, me
atenho a falar do primo que conheci rapidamente quando do lançamento do livro
“Os comunas” do jornalista Celso Martins e depois, como o primo mora em
Curitiba, sem contato com meus pais há muito tempo, somente neste ano de 2012,
vim a conhecê-lo.
João Soares Ventura, filho de Álvaro
Soares Ventura, aquele comunista que Nereu Ramos não deixou que se despedisse
de sua mãe no leito de morte, aquele comunista que trabalhava no Hospital de
Caridade fazendo serviços para as freiras nas horas em que elas dele
precisassem, muitas vezes nem perguntando se ele estaria cansado ou não!!!
Aquele comunista que foi Deputado Classista da Constituinte, enfim, aquele
comunista que “comia criancinhas”, mas era católico! E até ser perseguido e
preso, as freirinhas de mãos lisinhas do
HC de nada sabiam!!
Sim, é um texto com muitas
exclamações e muitas interrogações.
Justa a homenagem se o nosso Álvaro
estivesse vivo, justa a homenagem se à época ele pudesse ter se despedido de
sua mãe ficando essa coisa pendente em sua história pessoal.
E eis que no mês de junho de 2012, no
restaurante Lindacap, sou apresentada oficialmente ao meu primo João Soares
Ventura. Se meu avô, Luiz Soares Ventura, não tivesse omitido o sobrenome
Ventura em seus descendentes provavelmente meu pai teria o mesmo nome do primo,
mas como meu avô preferiu colocar o nome do santo do dia, meu pai assinou-se
João Auta Soares e o “Ventura” da linha do Luiz foi pro espaço.
Então, e a Placa de Prata, afinal de
contas, onde entra nesta história?
Bem, outro primo, Fernando César
Gomes Machado, sobrinho-bisneto de
Álvaro, foi à Assembleia Legislativa receber a honraria em nome da família.
E agora, como entregar a honraria ao
verdadeiro sucessor na linha direta?
Mas Fernando é expert em informática
e achou a parentada e assim, em junho nos encontramos para um almoço e nesse
dia, um sábado, era dia de feijoada na Lindacap.
Meu irmão Paulo e eu, fomos
cumprimentar aquele senhor de 86 anos, com ideias a mil, bem falante,
inteligente, palavreado solto bem ao gosto de quem não tem papas na língua.
Paulo teve que ir a outro compromisso e fiquei com Fernando, o filho de João,
Roberto e uma nora, Ivonete, na conversa que se estendeu às 4 da tarde. Celso
Martins também teve que se retirar.
Levei fotos de meu pai, do meu tio e
padrinho Álvaro Felipe Soares, o texto sobre Ventura que coloquei no meu blog,
o texto com os membros da minha família ( a do João Auta Soares) e dali em
diante João foi contando causos que se lembrava de seu pai.
Recebeu a homenagem que Fernando lhe
entregou e sorriu, mas no fundo de seu coração deve ter pensado que a oferenda
veio tarde demais, pois seu pai que havia sofrido tanto na prisão política, se
escondido da polícia, ali não estava para posar para foto.
Mas seus descendentes assim fizeram,
num misto de orgulho e saudade.
Embora tarde, merecida, pois Álvaro
Soares Ventura, o “seu” Ventura, lá de onde está, sorri para aqueles que
ficaram e lembrando do seu nome, do que
ele fez, no que ele acreditava, um Brasil sem exploração da mão-de-obra, um
Brasil coerente, um Brasil pacífico, um Brasil onde não houvesse distâncias tão
grandes entre as classes sociais.
E assim o filho do Ventura sorriu,
posou para fotos, abraçou e beijou seus “novos parentes e amigos”.
Florianópolis, 16 de junho de 2012
Profa. Maura Soares
Instituto Histórico e Geográfico de
Santa Catarina - IHGSC
Instituto de Genealogia de Santa
Catarina – INGESC
Academia Desterrense de Letras
Grupo
de Poetas Livres
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